quarta-feira, 3 de junho de 2009

Paixonites da gramática N°1

No início era o verbo,
e o verbo fez-se carne,
e a carne era de primeira.
As desinências observaram,
uma Desinência especial
apaixonou-se pelo verbo,
e pela carne que foi criada.
O verbo e sua carne
também já olhavam 
para a desinência.
Eles encontraram-se,
conjugaram-se
e tiveram milhões
de empregos e 
verbinhos.

E viveram felizes para sempre....

Até uma conjugação do Verbo no adultério mais-que-perfeito
deixando a Desinência no futuro do passado.

Anúncio de jornal n° 1

José Pé-de-chinelo  procura:
Mulher sincera, bonita,fogosa
e que goste de trabalhar bem.
De mais ou menos 1,65 m
que cozinhe, dance xaxado,
goste de namorar, seja amiga
e amante, estude, dirija e seja
uma pessoa não fumante.

Interessadas:
Passem na Rua Dom nada
N° 100  Bairro: Miséria de todo gosto
Cidade: Indigentenopólis do bom sucesso.


A Caixa aberta

No entardecer do dia
o sol despede-se e vai em vão,
mas tuas mãos porque se foram?
Teus cabelos já tão grisalhos
a tua vida tão alegre e frágil.

Dentro da noite rápida
em que tudo é farsa e escuro,
do calor intenso e mórbido,
do frio espesso e inseguro,
tua vida saiu desesperada.

Meu choro não serviu de alento,
tudo constante, este momento
esperando você no cais,
mas apenas as ondas vinham
beijarem meus pés molhados.

A vela apagou cedo demais!
O tempo é muito gigante
e eu pobre infante, ou não?
O vento não veio cantando,
a lua não se vai amando.

A chuva agora chora
assim como eu, aqui a beira-mar,
tudo parece vago e monótono,
sem sol, está tão amargo
encarar a dor que insiste em ser.

terça-feira, 2 de junho de 2009

QUANDOAMORSEVAI (tudo junto mesmo)

Quando o Sol desaparecia no horizonte,
a Lua sorrateiramente apresentava-se
e todo o ar parecia ser feito de flores,
vi ao longe você caminhado em minha direção.

Chegando você olhou-me e disse:
Quero amar alguém perdidamente.
Nesse momento não pensei muito
e aceitei, o pedido e o olhar.

Aquela loucura não durou uma noite,
o amor veio, a esperança veio e
todos os outros bons sentimentos
que unem seres eternamente.

A tarde olhávamos para os pássaros,
quando noite brincávamos com estrelas.
Percebemos com esses momentos,
que o eterno  não fazia-se eternamente.

Sentimento de perda foi o que restou,
até os pássaros não cantam mais.
Meu amor foi tristemente,
por um arco-íris no verão.

Quando o Sol desaparecia no horizonte,
a Lua sorrateiramente apresentava-se
e todo o ar parecia ser feito de flores,
vi ao longe minha vida esvaindo-se.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Deus,
Te peço, que quando eu morrer
meu espírito não vá nem para o céu
e muito menos para um inferno.
Quero ficar sobre o mar,
sentindo o vai e vêm das ondas,
recebendo a brisa marítima e até mesmo
as tempestades.
Não quero que minha alma fique estável,
como os querubins das catedrais,e nem
desejo ser perfeito, a perfeição cansa os mortais.
E por último, nada te peço.
Agora agradeço-o.

Alucinações

  Numa noite fria
de um lugar noturno,
sobre o imenso frio
gélido,branco,impuro.
Cansado pende a mão,
e é todo, e é inteiro.
Sobe em contramão
caíndo, louco em vão,
cantando as desgraças.
Sou parte, fração,
canto descabido.
Sou trave,porta,portão.
Nunca vou, sou chão,
sou base,sou casa, casarão!
Meio a contragosto
Deus observa-me do alto
e cria comentários maldosos.
Triste é o fim da morte,
uma abstração simplória,
como uma puta banalizada
remoendo seu destino
impróprio, pátrio e defectível.

domingo, 31 de maio de 2009

DEVANEIOS

 Levantei-me e saí correndo disparado rumo a uma porta de madeira velha e surrada, ao abrir caí escada abaixo, uma escada cheia de sujeira e restos de alimentos.
 Ainda atordoado,corri, caçando algo para comer que não estivesse em decomposição, as luzes do salão negro brilhavam como holofotes, depois de um exame minucioso percebi que eram holofotes em meio dos corredores grandiosos com várias obras de arte expostas na parede cinzenta com manchas azuis.
  Meia hora de caminhada achei um bebedouro derramando água sem parar, sem alimentos, resolvi beber incessantemente aquela água fétida que se encontrava em minha frente. Sentado em um sofá, perto de uma escrivaninha molhada, adormeci um pouco enganando a dor estomacal terrível devido a fome, incrivelmente não tinha medo e nem desespero em relação a minha sorte, minha má estrela, meu carma.
  Meus pés frios denunciaram que a água do bebedouro encharcara o salão, que agora mais parecia um esgoto subterrâneo, subi em um móvel de madeira, procurei algo que pudesse conter o aguaceiro, mas nada adiantou, só encontrei em uma das gavetas um crucifixo, uma lupa e um preservativo com lubrificante.
  Agora o desespero começava a aparecer e minha pele empalidecera de súbito, os holofotes diminuíram sua luminosidade, quando olhei para o corredor mais longo, observei uma mulher.    Ela vinha em minha direção em passos rápidos, parou em minha frente e reconheci que não estava enganado, estava totalmente despida, e  balançando os cabelos longos e negros falou:
  - Meu nome é Proba, prevarica-me!
  Refleti sobre o mundo, sobre a vontade de potência, sobre o mal que Fausto fez a si próprio, como pagar as contas no fim do mês, e se os mitos fossem verdades, e se os filhos amassem os pais, e Vishnu, Matsia, Manu, Maadeva ou seus outros trinta avatares fossem reais.
   Proba segurou em meu braço, e repetiu:
  - Meu nome é Proba, prevarica-me!
  Saí em disparada por meio das águas, cheguei até o móvel, abri a gaveta e segurei o crucifixo, mas minha fé acabara, peguei a lupa e vi o mundo todo distorcido, só restou-me o preservativo. Finalmente aquelas obras serviram para algo, as obras eram boas para amortecer os impactos fortes e posições inimagináveis.
  Os restos de alimentos misturavam-se com o líquido fedorento do bebedouro, já destruído por um curto- circuito, os holofotes apagaram-se totalmente e meus pensamentos, não os tinha.
  Toda a fome terminara, o banquete foi servido com direito a sobremesa, sentado na escada olhava Proba nadar nua no salão imenso, levantei a fronte e no forro do teto havia a seguinte inscrição em latim: Plaudite amici, comoedia finita est!