sábado, 31 de outubro de 2009

Estrelas

Existem momentos que percebemos as nossas vivências como
as mais importantes. São tolos momentos estes.
Não observamos há grandiosidade do viver e do universo,
não percebemos que a vivência do outro, seja o outro gente,
bicho ou estrela é essencial para nossa existência.
Como a noite some frente a luminosidade da estrela de brilho
natural, a relação egocêntrica dispersa-se com a iluminação
daquilo que não nos pertence.
São loucos os que não dialogam com os astros do firmamento,
mas ainda aqueles que não sentem a vida pulsar nestes mesmos
astros generosos.
A escuridão também é nossa, aceitemos tudo o que nos pertence,
as sombras fazem-se tão necessárias quanto as cores e as luzes.
Enfrentemos as nuvens espessas de névoa e prantos, acolheis a
dor, o vento frio, o amor e a presença do estranho.
Somente assim as estátuas e as lâmpadas serão destruídas e
um novo dia surgirá.

TRILHOS


Correndo velozmente no coração amargo e insano,
que de súbito pára de bater.
A dor tremenda das lembranças e os casos de um tempo alegre.
Como luzes de um refletor enorme, os episódios pesados e fúnebres
tomam conta do ócio da mente estúpida e vã.
O contato com o místico,metafísico, a divindade incomodam-me
sinto um desprezo eterno por estes assuntos que são banhados
de obscuridade feroz.
Meu corpo, concreto descartável e minha alma, ideal inútil,
se comprazem no joguete de interações grotescas com feras e titãs.
Acordo cansado do sonho febril e levanto-me tentando avistar o horizonte
longínquo, mas estranho é o que vejo.
A monstruosidade do meu todo disforme,
crucificado nos cárceres dos desejos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vita Tragoedia

Nas brincadeiras de crianças, há algo de tamanha grandeza e pouca consciência disso.
Somente na infância o Sol brilha forte e alegre todos os dias, os pássaros voam fugazes no céu azul, há flores de todas as cores, também é nesta época que experenciamos a variedade enorme de sabores.
Quando chegamos numa certa idade percebemos que as brincadeiras, os pássaros, e os sabores passaram, e o que nos resta é a grandeza.
Algo verdadeiramente, grandiosamente trágico.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dama

Perfeita imagem
singular miragem
a dama esquia.
O olhar penetrante
o sapato, o turbante.
Andava passos rápidos,
membros lindos, lépidos.
O carinho promíscuo,
a palavra ambígua,
a mão escorregadia.
O leão rugia,
o ruge, o lupanar.
Salto alto na boca,
a meiguice quase louca,
no seio, o lembrete,
na cabeça o capacete.
Era assim a moça fugaz,
fantasma flutuante,
fruto fluorescente
de gás e rupinol.
Era a Dama Motoboy.

Uma Trama qualquer

Beberei a jarra de mel e cicuta,
a lâmina escura e dura de aço,
o ouvido tuberculoso escuta
o riso sarcástico e pobre do palhaço.

Na relva, que ressurge na primavera,
ao longe ouço o estalar do tiro.
Estraçalha-me os dentes da quimera,
o rastro rápido e obscuro do vampiro.

A lua espelha toda prateada,
o amor, os amantes, o drama forte.
A mulher nua, a face maquiada,
a traição, o coração, o chacoalhar da morte.

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Todos os textos deste blog ( www.papeisk.blogspot.com)
são da autoria de Kleyson Matos, administrador do blog.

Diga não a pirataria!
Diga não ao plágio!


Paixonites da gramática N°1

No início era o verbo,
e o verbo fez-se carne,
e a carne era de primeira.
As desinências observaram,
uma Desinência especial
apaixonou-se pelo verbo,
e pela carne que foi criada.
O verbo e sua carne
também já olhavam 
para a desinência.
Eles encontraram-se,
conjugaram-se
e tiveram milhões
de empregos e 
verbinhos.

E viveram felizes para sempre....

Até uma conjugação do Verbo no adultério mais-que-perfeito
deixando a Desinência no futuro do passado.