quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vita Tragoedia

Nas brincadeiras de crianças, há algo de tamanha grandeza e pouca consciência disso.
Somente na infância o Sol brilha forte e alegre todos os dias, os pássaros voam fugazes no céu azul, há flores de todas as cores, também é nesta época que experenciamos a variedade enorme de sabores.
Quando chegamos numa certa idade percebemos que as brincadeiras, os pássaros, e os sabores passaram, e o que nos resta é a grandeza.
Algo verdadeiramente, grandiosamente trágico.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dama

Perfeita imagem
singular miragem
a dama esquia.
O olhar penetrante
o sapato, o turbante.
Andava passos rápidos,
membros lindos, lépidos.
O carinho promíscuo,
a palavra ambígua,
a mão escorregadia.
O leão rugia,
o ruge, o lupanar.
Salto alto na boca,
a meiguice quase louca,
no seio, o lembrete,
na cabeça o capacete.
Era assim a moça fugaz,
fantasma flutuante,
fruto fluorescente
de gás e rupinol.
Era a Dama Motoboy.

Uma Trama qualquer

Beberei a jarra de mel e cicuta,
a lâmina escura e dura de aço,
o ouvido tuberculoso escuta
o riso sarcástico e pobre do palhaço.

Na relva, que ressurge na primavera,
ao longe ouço o estalar do tiro.
Estraçalha-me os dentes da quimera,
o rastro rápido e obscuro do vampiro.

A lua espelha toda prateada,
o amor, os amantes, o drama forte.
A mulher nua, a face maquiada,
a traição, o coração, o chacoalhar da morte.

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Todos os textos deste blog ( www.papeisk.blogspot.com)
são da autoria de Kleyson Matos, administrador do blog.

Diga não a pirataria!
Diga não ao plágio!


Paixonites da gramática N°1

No início era o verbo,
e o verbo fez-se carne,
e a carne era de primeira.
As desinências observaram,
uma Desinência especial
apaixonou-se pelo verbo,
e pela carne que foi criada.
O verbo e sua carne
também já olhavam 
para a desinência.
Eles encontraram-se,
conjugaram-se
e tiveram milhões
de empregos e 
verbinhos.

E viveram felizes para sempre....

Até uma conjugação do Verbo no adultério mais-que-perfeito
deixando a Desinência no futuro do passado.

Anúncio de jornal n° 1

José Pé-de-chinelo  procura:
Mulher sincera, bonita,fogosa
e que goste de trabalhar bem.
De mais ou menos 1,65 m
que cozinhe, dance xaxado,
goste de namorar, seja amiga
e amante, estude, dirija e seja
uma pessoa não fumante.

Interessadas:
Passem na Rua Dom nada
N° 100  Bairro: Miséria de todo gosto
Cidade: Indigentenopólis do bom sucesso.


A Caixa aberta

No entardecer do dia
o sol despede-se e vai em vão,
mas tuas mãos porque se foram?
Teus cabelos já tão grisalhos
a tua vida tão alegre e frágil.

Dentro da noite rápida
em que tudo é farsa e escuro,
do calor intenso e mórbido,
do frio espesso e inseguro,
tua vida saiu desesperada.

Meu choro não serviu de alento,
tudo constante, este momento
esperando você no cais,
mas apenas as ondas vinham
beijarem meus pés molhados.

A vela apagou cedo demais!
O tempo é muito gigante
e eu pobre infante, ou não?
O vento não veio cantando,
a lua não se vai amando.

A chuva agora chora
assim como eu, aqui a beira-mar,
tudo parece vago e monótono,
sem sol, está tão amargo
encarar a dor que insiste em ser.