segunda-feira, 29 de março de 2010

Disparo

-Quem é o pai?
Perguntou uma voz masculina,
logo depois ouviu-se disparos.
Um homem saiu correndo pelas
escadas do apartamento
Minutos depois
lá fora uma sirene tocava
alarmando a vizinhança curiosa.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CARNAVAL


Recobria-se de máscaras as faces, tantas são as máscaras
que acumulavam-se e entorpeciam.
Estava sendo apenas mais um no bloco, mais um corpo frágil
desfilando na avenida de mentira e sonhos.
Mas a vida é assim mesmo, talvez na vida tudo seja como
um dia de carnaval. Um baile de mascarados escondendo as
tristezas e decepções entre o brilho e a leveza das serpentinas fluídas.
A aparente alegria é um truque, um jogo de ilusões, um lapso de
encanto na noite verdadeiramente escura, mórbida e fria.

Key Words

DARK- Em um dia extremamente escuro e triste,

FEVER- Ouvindo uma música melancólica e tomando vinho perto
da lareira,

MACABRE- Vítima de um estrangulamento no parquinho infantil,

BLED- Dois corpos em um sofá no quarto escuro,

WIN- O nome de uma velha mentira sobre o viver,

DISPIRITED- Palhaço divertindo crianças e seus pais,

VENOM- Tendência natural dos que falam bem das pessoas,

ECHO- Um religioso discursando,

TRASH- Sobrenome de toda moral,

SUNDAY- Motivo de abismos, torres e prédios altos,

POEM- Caminho bifurcado que te leva ao extremo avesso , embora repugnante
é apetitoso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

No fim da tarde...

De longe sinto o cheiro dos incensos queimando,
e ouço as badaladas dos grandes sinos místicos.
O arrebol formando-se esplendorosamente
com aves que tecem a beleza do céu.

Em meio aos cristais e perfumados liquídos
passeiam as almas, gloriosas e nuas.
No alto um estandarte de flores
e no interior somente a vida.

Banhado de intensa luz bruxuleante,
sinto-me cada vez mais vivo.
Mesmo sobre perigosos espinhos,
desabrocha a essência da rosa.

Com o chamado da espiritualidade
e o canto manso do amor,
desperta-me a verdade
o fino manto da flor.

domingo, 1 de novembro de 2009

Trama

A DAMA
A TRAMA,
O OLHAR VÍTREO
DOÇURA
AMOR
CANDURA.
RASGA
O RASTRO
SANQÜINEA
FORMOSURA.

sábado, 31 de outubro de 2009

Estrelas

Existem momentos que percebemos as nossas vivências como
as mais importantes. São tolos momentos estes.
Não observamos há grandiosidade do viver e do universo,
não percebemos que a vivência do outro, seja o outro gente,
bicho ou estrela é essencial para nossa existência.
Como a noite some frente a luminosidade da estrela de brilho
natural, a relação egocêntrica dispersa-se com a iluminação
daquilo que não nos pertence.
São loucos os que não dialogam com os astros do firmamento,
mas ainda aqueles que não sentem a vida pulsar nestes mesmos
astros generosos.
A escuridão também é nossa, aceitemos tudo o que nos pertence,
as sombras fazem-se tão necessárias quanto as cores e as luzes.
Enfrentemos as nuvens espessas de névoa e prantos, acolheis a
dor, o vento frio, o amor e a presença do estranho.
Somente assim as estátuas e as lâmpadas serão destruídas e
um novo dia surgirá.

TRILHOS


Correndo velozmente no coração amargo e insano,
que de súbito pára de bater.
A dor tremenda das lembranças e os casos de um tempo alegre.
Como luzes de um refletor enorme, os episódios pesados e fúnebres
tomam conta do ócio da mente estúpida e vã.
O contato com o místico,metafísico, a divindade incomodam-me
sinto um desprezo eterno por estes assuntos que são banhados
de obscuridade feroz.
Meu corpo, concreto descartável e minha alma, ideal inútil,
se comprazem no joguete de interações grotescas com feras e titãs.
Acordo cansado do sonho febril e levanto-me tentando avistar o horizonte
longínquo, mas estranho é o que vejo.
A monstruosidade do meu todo disforme,
crucificado nos cárceres dos desejos.